Esta segunda-feira (29/10/2007), levei a Rosana de carro para a Unama, mas tinha uma missão adicional: doar à biblioteca alguns livros de informática antigos e alguns mangás avulsos cuja coleção eu interrompi e que estavam entulhando nossa estante de livros.Enquanto o rapaz catalogava os mangás, lembrei de dar uma folheada nos livros para ver se não havia nenhum papel importante esquecido dentro deles.
Acabei encontrando uns folders de dois produtos de software produzidos pela Paramatica (sem acento, mas se lê "paramática"), uma pequena empresa onde eu trabalhei algum tempo antes de entrar na Receita. Minha breve experiência na iniciativa privada. :-)
A Paramatica era de Carlos Augusto Souza Jatene, parente do ex-governador do Pará Simão Jatene. Funcionava numa sala de um prédio comercial do centro de Belém. Desenvolvíamos quase que exclusivamente para a Albras, produtora de alumínio com sede em Barcarena, onde o Jatene tinha trabalhado no passado. A Albras tinha um ambiente de grande porte que rodava o sistema operacional PIC. A linguagem de programação que usávamos era o PIC-BASIC, um "dialeto" de BASIC adaptado para trabalhar com o PIC.
Para editar arquivos no PIC usávamos um incômodo editor de linha. Me lembro que fiz um editor WYSIWYG. Ficou legal, mas ficava lento quando o arquivo era muito grande. Eu tinha planos de implementar um esquema de paginação para manter apenas um pedaço do arquivo na memória, mas passei no concurso da Receita antes disso.
Os dois folders reencontrados por mim eram de produtos prêt-à-porter com os quais a Paramatica buscava ampliar sua clientela, saindo da dependência da Albras: o Ponthus e o dB-KIT.
Eu participei do desenvolvimento do dB-KIT. Basicamente era um módulo de funções para a linguagem Clipper que implementava arrays dinâmicos de até três dimensões armazenadas em strings. A idéia era armazenar essas strings nos campos "memo" dos arquivos .dbf (campos de texto de tamanho livre), permitindo implementar um banco de dados não normalizado, à semelhança do usado no PIC.
Me lembro de testar todas as combinações de parâmetros das funções de manipulação de arrays do PIC-BASIC para garantir que as funções do dB-KIT produzissem exatamente os mesmos resultados.
Algum tempo depois que entrei para a Receita saiu o inovador Clipper 5, que permitia a criação de arrays dinâmicos e multidimensionais. Não pude evitar de lembrar do dB-KIT e de pensar como esse lançamento o tornava obsoleto.
Fui algumas vezes à Albras com o Jatene. Uma vez, a hora do almoço, fomos ao refeitório e o cardápio era um peixe com um molho branco-amarelado... Quem me conhece sabe que não gosto de peixe, mas aquele ali me surpreendeu. Acho que foi a única vez que comi um peixe não-sardinha-em-lata de que gostei.
Outra vez ficamos até tarde e perdemos o barco de volta para Belém. O jeito foi recorrer a um pô-pô-pô. Que medo deu, viajar à noite com a água batendo perto da borda do barquinho... Mas tudo acabou bem.
Nessa época eu ainda não era o "Ensjo". Minha mania era assinar meus programas como "Emerson Ioseph" (em vez de "José"), motivo pelo qual o Jatene me chamava às vezes de "Iôzep".
Foi um tempo legal, trabalhar na Paramatica. Em tempos mais recentes fiquei sabendo que ela tinha virado um curso de informática ou algo assim. Não sei se continua funcionando. Mas as boas lembranças continuam comigo.
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