Meu primeiro microcomputador, comprado durante os anos 80, foi um tal de MC 1000, fabricado pela CCE. Esquece os PC de hoje. Como outros microcomputadores daquela época, conectava-se o micro à TV, como um aparelho de videogame. O teclado e o gabinete formavam uma peça única. Para salvar e recuperar as informações, nada de HD ou disquete: usava-se um gravador de fitas cassete conectado ao micro. O tamanho da memória se contava em poucos KBytes. Nada de janelas, ícones, e cliques de mouse: trabalhava-se em uma tela de texto, e tudo o que se quisesse fazer tinha que ser digitado.
Pois bem, foi assim meu início no mundo da informática. Ligava meu MC 1000, e via a telinha com letrinhas amarelas sobre fundo verde anunciar a disponibilidade de 14618 bytes. Sentia o calor exagerado que saía da parte traseira dele, dando a impressão de que o bicho ia derreter. Ia apertando as teclinhas de borracha, que não permitiam uma digitação rápida, ouvindo um bip ser produzido no alto-falante da TV a cada toque, e assim passava meu tempo fazendo e ajustando programas naquela maquininha. Muitas vezes para perder tudo ao final, pois não costumava salvá-los em fita. Mas o prazer de programar fazia tudo valer a pena.Meu MC 1000 foi comprado de segunda mão de um garoto que pôs um anúncio nos classificados. Na época existiam outros computadores mais populares, com mais programas (e jogos!) disponíveis, e mais poderosos (mais memória, mais cores, mais facilidades para programar com gráficos). Talvez o antigo proprietário o estivesse vendendo para comprar um outro micro, não sei. Nesse tempo eu ainda não conhecia os computadores existentes. Acabei querendo comprar o MC 1000 logo, só porque um dia eu estava no trabalho do papai e, por acaso, escutei justamente uma propaganda do MC 1000 na estação de rádio que tocava no sistema de som. Já querendo ter um micro, fiquei com esse nome na cabeça até o dia em que vi o anúncio no jornal.
Todos os micros da época usavam a linguagem de programação BASIC. Mas havia certas diferenças entre micros de fabricantes diferentes. Havia revistas que traziam programas para os leitores digitarem, muitas vezes com as adaptações necessárias para outras linhas de micros. Mas o MC 1000 era "único". Não pertencia a nenhuma linha popular de micros. Dificilmente eu podia usar um programa de revista nele sem precisar fazer alguma modificação. Essa dificuldade ao menos me serviu para desenvolver minha criatividade em termos de programação.
Num dia fatídico, meu MC 1000 pifou. Como a CCE já tinha abandonado o produto e não dava mais assistência, e como eu não tinha conhecimento de eletrônica para empreender uma tentativa de ressurreição, acabei jogando fora a carcaça inerte do meu precioso computadorzinho. Mas meu futuro com a informática já estava definido, e eu acabaria fazendo o vestibular da UFPA para o curso de Tecnólogo em Processamento de Dados.
E assim o tempo passou, hoje, passados mais de 15 anos, pelos fóruns de discussão da Internet fiquei sabendo de uma pessoa que estava se desfazendo de sua enorme coleção de micros antigos, entre eles dois MC 1000. Entrei em contato, acertamos o negócio e paguei-lhe R$ 150,00 por um deles, mais R$ 55,00 pelo custo do SEDEX. E eis que agora tenho a satisfação de poder, quando me der na telha, voltar a apertar aquelas teclinhas de borracha, fazendo algum programinha bobo para passar o tempo... ¦-)
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